Ok… away disso aqui por algum tempo. Peço perdões e desculpas… haha. Mas enfim… não fiz um blog pra ficar parado né? as vezes confesso ter uma certa preguiça em escrever. Mas vamos lá.
A pedidos (rs… ), vou colocar as minhas impressões sobre o tão aguardado Just a Fest (nome que eu sempre tenho a impressão de ter ser escolhido às pressas para um “festival” que estava trazendo o Radiohead). Teorias à parte… rs
Primeiro de tudo. Quando o Radiohead confirmou a vinda para o Brasil e se instalou aquele fuzuê todo, todos sabíamos que a passagem de Thom Yorke e compania seria no mínimo histórica. Eu então com a maior boa vontade e como boa cabeçuda (mal sabia do quanto de trampo tudo isso ia dar.. haha), já me empenhei em bolar uma excursão pra levar a galera curitiboca pra São Paulo. Enfim… deu um trabalho fenomenal e mesmo apesar dos stresses e coisas do tipo, não me arrependi. Ao todo saíram 3 ônibus lotados. Foi legal.
Excursão é sempre uma coisa engraçada. Na verdade, é um amontoado de apaixonados por determinado tipo de música (ou banda-artista), que se junta e acaba se conhecendo dentro de um ônibus bebendo cerveja e vendo DVD de algum show na TV do busão e claro, tecendo comentários a respeito. Daí vem a conversa do Set-list, músicas que queria ouvir e por aí. Depois de um tempo (geralmente após a parada do ônibus para a merecida coxinha de beira de estrada), todo mundo acaba percebendo que o melhor que há a fazer é dormir pra aguentar o pique da fila, dos shows e enfim, da maratona toda que acaba sendo um bate-volta.
Colocaram o Just a Fest lá na PQP de São Paulo. Pra você ter uma idéia, o Jockey (local do show) era quase na Régis Bittencourt (saída pra Curitiba). Bom por um lado, em saber que ao voltar pra casa não precisaríamos atravessar uma imensidão das dimensões de SP. Ruim por outro: a hora da fome era a pior. Por perto, somente um posto de gasolina com aqueles salgados que já conhecemos. Única alternativa, então, fomos a ela!… hahaa

Assim… eu realmente achei o Jockey legal. Me senti numa fazenda nos moldes woodstock. O que foi ruim mesmo, mas BEM ruim foi a organização. Eu não sei o que aconteceu com o estacionamento porque não fui de carro, mas ouvi comentários péssimos a respeito. Banheiros quimicos na verdade eu nem vi por lá. Um copinho d’água era um absurdo (R$5)! A cerveja tava quente e não tinha comida (viu pq eu acho que o “Just a Fest” foi um nome idiota pra um festival wannabe, só porque tava trazendo o Radiohead?).
Enfim, na verdade, o único acerto da produção foi mesmo a escalação das bandas e os horários dos shows – tudo absolutamente pontual – além do som bem regulado. E ok, depois de algumas horas alternando o cansaço entre sentadas na grama e cochilos no colo dos amigos, era hora de levantar pra ver o Los Hermanos entrar!

O Loser (leia-se Lôser, por favor!) já tinha dado um tchau ao palcos havia um tempo. Daí do nada eles resolvem “voltar” pra fazer dois shows de abertura pro Kraftwerk e Radiohead. Tipo: “Uau! “pensei… perfeito!
E realmente foi perfeito mesmo… claro que SEMPRE tem o povo chato né? ainda mais festival… normal. Mas como sempre, o culto religioso que o Loser cultiva entre seus fãs e admiradores é algo realmente sensacional!
E pra abrir de cara, “Todo carnaval tem seu fim”. Na verdade, já sabia que eles iam abrir com essa, por causa do set do show do Rio dois dias antes. Mas nossa, sentir aquela vibração denovo misturada com os confetes na cabeça e serpentinas voando foi realmente demais. Lindo diria…
No meio, “Sentimental”, “Casa Pré-Fabricada”, “Último Romance” (adendo pra parte sentimental do negócio.. rs) e etc.

E a cada som, cada hit, uma sensação diferente. Alegria, emoção, be happy mesmo. Eles fizeram aquele show pra fã, nada de tentar conquistar novos admiradores. Até porque, rolaram uma erradas fenomenais… hahaha… viradas de bateria inexistentes seguida de risadas dos membros da banda, Camelo um pouco rouco e essas coisas de banda que faz revival e uns 4 ensaios pra isso… rsrsrs. Porém, os gritos de “volta! volta!” da platéia além de tirar sorrisos deles, ainda – *arrisco* – que os instigou à sim… uma volta (logo e em breve! assim esperamos… haha).
Enfim… depois do culto religioso Hermano, mais um tempo pro Kraftwerk subir no palco. Confesso que conhecia bem pouco o trabalho deles, mas respeitava pra caralho. E daí você vê o lado histórico da coisa né? 4 caras (alguns deles já tiozões) parados na frente de laptops como estátuas. E meu… como aquele som todo saí daqueles computadorezinhos? rs… é… isso é pra quem realmente pode fazer história, não pra quem quer.
Mas o mais legal dos alemães no palco é o visual. Pense num telão exibindo imagens, frases e palavras com efeitos indescritíveis? Não tem como não grudar os olhos naquele bando de milhão de pixels iluminando seu rosto sem se surpreender. Sem contar os robozinhos que em determinada música invadem o palco no lugar dos caras. Hahaha… claro, eles não fazem nada de mais, mas é legal! Me senti realmente num show histórico com os caras que praticamente fundaram a música eletrônica.

Mas enfim… nem toda essa apelação visual tirava a vontade e a ansiedade pelo Radiohead. Foi aí que a coisa começou a ficar mais tensa. Até o show do Los Hermanos o aperto tava tranquilo. Depois do Kraftwerk começou a ficar insuportável. Estávamos cerca de 20 metros de distância do palco e bem no meio, de frente pro microfone do Yorke. Resumindo… com relação à loucura do aperto, este era o pior lugar do mundo pra se estar num show do Radiohead. Ok… vamos suportar, afinal, as 8 horas de espera em pé ali, não deveriam ter sido em vão.
Foi no mínimo inesperada a forma com que a banda entrou no palco. Depois de toda aquela parafernália instalada (“as estalactites brilhantes” e luzes), pouquíssimo tempo depois, os gritos começaram a aumentar de intensidade 10 minutos antes do horário previsto. Pensei: “o que? mas já???!!!” Sim… já… e aí se instalava o verdadeiro caos.
Não vi Thom Yorke, nem Ed O’Brain, nem Colin, nem Johnny, nem ninguem entrar palco. O que vi (ou melhor, senti), foram empurrões, apertos, gritos e desespero. Quando me dei conta, estava perto da grade. Literalmente fui empurrada e levada pela multidão que se espremia na frente do palco. Tenso.
Os gritos de euforia pelo grupo tocando “15 Step” deu lugar ao desespero das pessoas que estavam caindo no chão e quase sendo pisoteadas (eu inclusive). O engraçado, é que isso nenhuma TV, matéria ou reportagem noticiou, mas enfim… coisa de show mesmo. Até aquelas 30 mil pessoas acalmarem foi tempo…. “There There” esfriou os ânimos pq claro, era muito mais legal ficar pirando vendo aquelas cores loucas no palco e cantando Tranquilamente, do que aquela loucura toda. ‘Graças a Deus!”, pensei.

A emoção veio de leve e tomou conta da euforia. Visivelmente era possível ver cada ser ali que havia desembolsado no mínimo 100 reais, com diversas expressões diferentes. Lágrimas, choro enrustido, transe, alegria, felicidade e coisas do tipo :”não acredito que to vendo isso!”. Aos poucos, os caras foram desfilando as musicas (Com o In Rainbows na íntegra) e os grandes clássicos. O primeiro deles… “Karma Police”… sensação de êxtase geral e um côro perfeito.
“Idioteque” fez me sentir numa rave indie. Maravilhosa! “Exit Music” foi fantástica. De leve, ouvia-se a platéia cantando suavemente, baixinho mesmo… como se todo mundo estivesse recitando algum tipo de oração à um culto religioso.
Mas para mim, o melhores momentos aconteceram mesmo no final. Imagine você cansado (a), com sede, fome, e mal se aguentando de pé? pois é… o estado era esse. Porém, no início do primeiro bis , “Videotape” me fez esquecer desses meros detalhes. E a sequência foi melhor ainda: “Paranoid Android”, “Fake Plastic Trees”, “Lucky” e “Reckoner”. Só por isso, meus 100 reais já tinham se multiplicando por 500, ( e ainda foi barato!)… rs
Enfim… claro que eu preciso dar um adendo por “Paranoid”. Primeiro: realmente ninguem esperava por essa música. Então pense você, perdido no meio de 30 mil pessoas, fazendo parte da histeria e do coro… “Rain down, raind dooooown…”. De arrepiar. Mas o melhor mesmo e o marco histórico desse show pra todo mundo que esteve lá, com certeza foi esse “Rain down” quando a música já havia acabado. Lembro que já chorava a essa altura, mas ao ouvir todo mundo cantando esse trecho e ver Thom Yorke voltar ao microfone somente com seu violão pra fazer um dueto com o público, achei inacreditável. “Como pode?” … ah lágrimas… ah lágrimas…
Haha… depois disso aquilo tudo pra mim já podia acabar (mesmo sem tocar The Bends, que era o som que eu mais esperava ever na minha vida!rsrsrs). Enfim… todo mundo sabia que dali já viria o 2° bis – que provavelmente seria o último – e acabaria com “Everything In Its Right Place”. Realmente… veio House of Cards”, “You and whose army” e “Everything In Its Right Place”. Ao final desta,todos se preparavam pra ir embora, e de fato, várias pessoas já tinham ido mesmo. Olhei pra trás, até já chamando todo mundo pra sair dali, afinal, o cansaço e a sede estavam cruéis.
Mas ah Thom… aí veio você, do nada denovo com a sua trupe pra tocar aquela música que vocês colocaram de última hora e escrita à mão no set list, como uma espécie de contemplação à entrega do público… “Creep”… ” o que??? Creeeeeeeeeeeeeeeeeeeep!!!!!!!!!!!!!!!”
…

Hahaha… to aqui já a uns 5 minutos tentando achar palavras que descrevam o inacreditável e praticamente impossível 3° bis com “Creep”, depois de eles já terem tocado “Fake Plastic Trees”. É … eles não costumam fazer muito isso, mas fizeram! Apoteótico seria a palavra?? Histórico? Emocionante?? Não sei… talvez todas essas palavras juntas.
Depois disso, nem a saída caótica de apenas UM portão pra 30 mil + sede + cansaço + fome, tirava a expressão de “Meu Deus o que foi isso!” dos rostos gerais. As caras eram todas iguais… embasbacadas, surpresas.
No dia seguinte, a sensação de sonho era praticmente coletiva. Acho que pra terminar, uma frase resume bem o que foi isso… o que mais ouvi no pós apresentação: “Depois desse show, nunca mais serei o mesmo… “