Quando passei no vestibular, ganhei uma mini-bonequinha portando uma câmera fotográfica, um gravador, empunhando um jornalzinho e escrita a palavra “jornalista” abaixo. Daquelas que você acha em lojas de lembranças de faculdade, sabe né?
A ansiedade em começar um curso superior abrangia minhas expectativas tanto quanto aprendizado quanto vivência. A época da faculdade é importante pra o indivíduo não só pelo fato do aprender, mas também de uma associação de maturidade de ideais e pensamentos com “crescimento adulto” em termos de idade (não sei se me fiz entender), mas enfim…
Ao me deparar com a notícia aterradora da não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para exercício da profissão, fiquei extasiada. Mas não foi um extase bom, claro que não! Muito pelo contrário. Em primeiro lugar me senti enormemente desrespeitada. Estou terminando o sexto período (que corresponde ao fim do 3° ano) de um curso de quatro anos pagando novecentos reais por mês. É perda de dinheiro e tempo para um jurista que ocupa a cadeira mais importante do judiciário.
Mas o mais complicado que isso, é ver cidadãos e pior, ESTUDANTES de jornalismo serem a favor da decisão do STF.
Não sei o que se passa com essas cabeças e muito menos de onde são tirados argumentos tão pífios pra sustentar tal opinião.
É clara a forma com que o jornalismo é importante para a sociedade. Uma profissão que é vista como um quarto poder, TEM SIM uma missão de extrema importância para uma nação em si. O que seria de uma informação errônea de profissionais mal preparados? (vide caso Escola Base).
Obviamente do número de formados em jornalismo todo ano pelo Brasil, a minoria sai preparada para um mercado competitivo, manipulador e onde a liberdade de expressão NÃO É exercida como deveria.
O que acontece é que, nos veículos que você lê, assiste ou ouve, não há opinião taxativa e escancarada. Tudo depende do seu editor que é pau mandado do dono do veículo que é pau mandado do mundo político. Sim… mundo político.
Resumindo: tudo o que você vê, lê ou ouve tem a finalidade de mostrar apenas o que o alto calão de Brasilia e similares acharem melhor de acordo com seus interesses.

Enfim, voltando…
De maneira nenhuma acho que uma pessoa não formada nessa área não possa exercer a profissão. O problema é que, com essa mudança, a liberdade em escrever num jornal que você vai ler parte de qualquer pessoa. Seja ela um senador ou o sorveteiro da esquina que mal sabe assinar o nome. Além disso, a experiência e aprendizagem que uma faculdade oferece vai além de técnicas de lead, sub-lead, off, passagem, cabeça, Gate Keeper e Mc Luhan. Fazem parte de uma grade curricular do curso matérias como Ética, Sociologia, Filosofia e Psicologia. Isto é, a formação não é somente técnica como também humana, com a intenção de ser voltada exatamente para a sociedade.
Não, não estou dizendo que a faculdade é maravilhosa porque sim, há falhas e falhas grotescas. Mas é válido relembrar o que seus pais diziam quando “o que faz uma escola é o aluno” quando você estava na 3° série primária. E de fato é. Não adianta de nada ter programas de aprendizagem maravilhosos se o seu interesse não é voltado para tal. E isso vale pra qualquer curso.
Permitir que qualquer pessoa tenha acesso à construção da informação é um risco enorme e a não obrigatoriedade do diploma, abre um leque escancarado que a maioria não quer ver. A mídia é simples de ser estudada. Ela te enfia goela abaixo e você aceita, principalmente porque nos tempos pós-modernos a sociedade de consumo é uma realidade onde acordar, trabalhar e gastar o que foi ganho, toma boa parte da vida de um indivíduo comum. O cansaço por um dia exaustivo tira a possibilidade de aprofundamento de um fato de qualquer cidadão. E não julgo isso, porque é preciso comer, se vestir e ter um plano de saúde.
Enfim… é preciso repensar atitudes e fatos. Não se deixar enganar pelo o que é dito sem antes pesquisar diversas fontes diferentes. Esse é um pensamento jornalístico, mas que cabe à qualquer um antes de levar um fato a sério ou não.
E quanto ao diploma, tem mais aqui.
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